Cada setor econômico apresenta suas próprias peculiaridades, trazendo dificuldades únicas para as equipes de Recursos Humanos e de Departamento de Pessoal das organizações, e demandando abordagens de gestão cada vez mais estratégicas. No setor de construção civil, os desafios do RH são especialmente evidentes, abrangendo questões que vão desde a escassez de mão de obra qualificada até a necessidade de constantes reciclagens em Segurança do Trabalho (SST).
Tendo isso em mente, nesse post vamos abordar os principais desafios que as empresas de construção civil devem estar preparadas para enfrentar em 2024. Junte-se a nós e fique por dentro dos pontos que demandam maior atenção do RH!
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TogglePor que existem dificuldades do RH para o setor construção civil?
Os desafios do RH na construção civil são resultado de um conjunto de fatores que mudaram a dinâmica do setor. Esses fatores tornam o trabalho dos profissionais de RH cada vez mais complexos.
A padronização e modernização das relações trabalhistas, intensificadas pela fiscalização do eSocial, impulsionam a formalização do mercado de trabalho. Essa nova realidade exige maior atenção no cumprimento das normas trabalhistas.
Paralelamente, as mudanças demográficas, como envelhecimento da população e a diminuição da taxa de natalidade, reduzem a oferta de mão de obra jovem e qualificada.
A rápida evolução tecnológica, por sua vez, incentiva a necessidade constante de atualização dos profissionais. As novas ferramentas e processos demandam habilidades específicas nem sempre encontradas nos profissionais do mercado.
Além disso, a equipe de RH precisa se desdobrar e ser proativa para garantir o preenchimento das vagas com pessoal qualificado, e desenvolver competências onde for necessário.
Entender profundamente esses desafios é o primeiro passo para uma gestão de pessoas eficaz. Garantir não apenas a satisfação, o cumprimento de direitos e a segurança aos trabalhadores, mas também a produtividade do negócio e do setor.
Principais desafios do RH para o setor construção civil
Escassez de mão de obra qualificada
Em 2023, uma enquete realizada pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), junto a 800 empresas, revelou que sete em cada dez organizações do setor sofrem com a carência de profissionais.
Este dado destaca um problema que tem sido observado há alguns anos no Brasil: a dificuldade crescente de encontrar profissionais qualificados, como, por exemplo, pedreiros, carpinteiros e mestres de obras.
Vários fatores contribuem para essa situação, incluindo as mudanças constantes no mercado de trabalho, inovações tecnológicas de produtos e de processos de trabalho, e o desafio de atrair jovens para a construção civil.
Alta rotatividade de pessoal
Além de ter que lidar com a escassez de mão de obra qualificada, a construção civil também enfrenta altos índices de rotatividade de pessoal – outro indicador que impacta diretamente na produtividade e na qualidade de produção do setor.
Os motivos da rotatividade elevada variam, abrangendo desde motivos pessoais até causas organizacionais ou externas. Veja alguns exemplos:
- Insatisfação do trabalhador em relação ao ambiente de trabalho;
- Falta de oportunidades de desenvolvimento e crescimento;
- Problemas de relacionamento com os gestores;
- Busca por salários e benefícios mais atrativos;
- Expansão ou redução dos negócios;
- Instabilidade econômica.
Baixa valorização da profissão
A construção civil geralmente envolve trabalhos físicos pesados. Além disso, os colaboradores muitas vezes precisam trabalhar expostos a condições climáticas adversas, como calor extremo, frio ou chuva.
Esses fatores, combinados à falta de valorização desses profissionais por parte das empresas, sejam eles qualificados ou não, têm desestimulado os jovens a ingressarem na área.
Como consequência, atualmente a construção civil precisa lidar com o envelhecimento da sua mão de obra. Para se ter uma ideia, a idade média dos trabalhadores em obras no Brasil saltou de 37,4 anos em 2012 para 41,2 anos em 2023.
Equilíbrio entre tecnologia e humanização
Os últimos anos mostraram que investir em tecnologia é essencial para aumentar a eficiência, precisão e segurança nos processos construtivos. No entanto, o mercado da construção civil continua dependente do trabalho manual e da habilidade de profissionais qualificados.
O desafio do RH, aqui, é encontrar o equilíbrio entre investir em tecnologia para melhorar os resultados, sem negligenciar a importância das pessoas no setor.
Continuar reconhecendo o valor do trabalho humano, proporcionando condições seguras e satisfatórias de trabalho, é um dos caminhos para isso.
Distância do canteiro de obras
A distância física entre o setor de RH e o canteiro de obras frequentemente resulta em um conhecimento limitado sobre as condições de trabalho, as demandas físicas e emocionais dos colaboradores, além dos conflitos que podem surgir nesses locais mais distantes.
Na prática, essa separação tende a dificultar a implementação de medidas adequadas para resolver problemas relacionados à gestão de pessoas de maneira eficaz e oportuna.
Para enfrentar esses desafios, é fundamental investir na capacitação das lideranças, preparando-as para uma gestão mais humanizada e eficaz na resolução de conflitos.
Além disso, é igualmente importante melhorar os canais de comunicação entre o canteiro de obras e os departamentos administrativos, garantindo um fluxo de informações mais transparente e ágil.
Necessidade de treinamento contínuo
Sabe-se que os profissionais da indústria da construção estão mais sujeitos a sofrerem os impactos dos riscos e de exposição a substâncias químicas. A natureza das atividades que realizam os coloca em contato direto com agentes nocivos.
Para reduzir esses riscos ao máximo, é imprescindível investir continuamente em treinamentos, a fim de minimizar as ocorrências e reforçar as melhores práticas de Segurança e Saúde no Trabalho (SST).
Além de manter os trabalhadores atualizados com as melhores condutas e regulamentações de segurança vigentes, o investimento em treinamento contínuo também contribui para melhorar a satisfação e a retenção de talentos.
É importante lembrar que essas iniciativas não precisam e nem devem se limitar apenas às questões de SST.
Ainda antes da pandemia da Covid-19, a transformação digital já era acelerada no mercado da construção. Novas tecnologias e processos: recursos e equipamentos 3D, utilização de drones, materiais sustentáveis, gestão de resíduos, eficiência energética das obras, e mais um infinidade de melhorias. E as dificuldades ficam em como encontrar trabalhadores para adotar e aplicar tudo isso!
Apoiar o desenvolvimento profissional de forma abrangente, incluindo a aquisição de habilidades técnicas e comportamentais, tende a promover um ambiente de trabalho mais colaborativo e motivador.
Reconhecimento do RH como um setor estratégico
Apesar de sua importância fundamental na gestão de talentos, desenvolvimento organizacional e cultura corporativa, o RH ainda enfrenta o desafio de se posicionar como um departamento mais estratégico na construção civil.
Evidenciando essa questão, há uma pesquisa publicada em outubro/2023 pelo SindusCon-SP. Nela, ficou demonstrado que para 74% dos gestores, o RH não é reconhecido como uma área estratégica para as empresas do setor.
Essa porcentagem reflete uma oportunidade perdida.
Afinal, o RH possui os KPIs necessários para apoiar decisões assertivas em diversas frentes, seja garantindo que a equipe certa esteja no lugar certo ou assegurando que os colaboradores e líderes estejam preparados para enfrentar os desafios técnicos e comportamentais do setor.
Considerações finais
Os desafios do RH para o setor de construção civil apresentados até aqui refletem a complexidade das demandas atuais e futuras da gestão de pessoas. No entanto, eles também representam uma oportunidade para o RH se destacar como um pilar estratégico e impulsionar o sucesso na construção civil.
Ao adotar medidas proativas, fortalecer as relações interpessoais e apoiar a capacitação dos colaboradores, o RH não só pode ajudar a criar um ambiente de trabalho mais seguro, saudável e motivador, mas também aumentar a eficiência operacional das organizações.
fonte:https://nydus.com.br/desafios-do-rh-para-o-setor-de-construcao-civil-em-2024





